Acidentes de trabalho matam 100 por ano em Mato Grosso
O número é alarmante no país inteiro. As vítimas em 2010 somaram 4 mil pessoas
O coordenador nacional do Fórum Sindical dos Trabalhadores fez um alerta ao país sobre a falta de segurança dos trabalhadores brasileiros. José Augusto da Silva Filho afirmou que quatro mil pessoas morrem por ano no Brasil por acidentes de trabalho, e a maior parte das vítimas são jovens entre 25 e 29 anos.
Em Mato Grosso a estatística segue o ritmo do país. A Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Econômico disponibilizaram os dados sobre acidentes de trabalho de 2010. Justificaram que ainda não possuíam nenhuma informação de 2011 ou 2012.
Em 2012, foram 101 acidentes que envolveram trabalhadores. De acordo com a pesquisa, o Núcleo de Segurança e Saúde no Trabalho investigou 94 acidentes de trabalho, 16% (15) deles fatais e 84% (79) não fatais. Sendo que 62% dessas notificações estão inseridas na indústria e 6% na construção. Entre as vítimas, 45% tem idade entre 21 e 30 anos.
Na pesquisa consta que o maior fator desses acidentes são os modos de operação inadequados e perigosos.
Segundo Joaquim Dias de Santana, representante do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil, os sindicatos são os últimos ter acesso aos dados sobre acidentes de trabalho. “Na maioria das vezes, somos informados quando o acidente é fatal, ou ainda pela imprensa”. Ele afirmou ainda que os sindicatos são vistos com maus olhos. “É considerado uma peça a fazer tudo contra essa ou aquela empresa. Sendo que a única coisa que queremos é a verdade”.
O representante disse ainda que o maior problema que os trabalhadores enfrentam é a terceirização. “Já chegamos a encontrar em um único canteiro de obras, 20 empresas terceirizadas”. Empresas essas que, de acordo com Joaquim, sequer pagam os encargos sociais dos empregados. “Senão tem condições de pagar encargos sociais de um trabalhador, como vai arcar com segurança nesse local?”.
Um técnico em segurança do trabalho é capaz de qualificar os trabalhadores de uma determinada área, a fim de evitar possíveis incidentes no local de serviço.
Os sindicatos de trabalhadores da indústria da construção estão em negociação nacional quanto aos direitos trabalhistas. Eles reivindicam piso nacional igualitário (Nesse momento, o maior piso da classe é de R$1300 para profissional e R$ 962 para servente), hora extra, adicional noturno, contrato de experiência, entre outros.
Brasil
O coordenador nacional do Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST), José Augusto da Silva Filho, participou de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, para tratar da segurança dos trabalhadores brasileiros.
Segundo ele, a classe trabalhadora no país ainda é ameaçada pela flexibilização da legislação trabalhista, pelo desrespeito às leis e pela falta de estrutura do Ministério do Trabalho, que não fiscaliza as empresas como deveria.
José Augusto da Silva Filho aproveitou para advertir os sindicatos sobre a importância dos investimentos em cursos de capacitação e formação para seus quadros. Além disso, ele defendeu a criação de departamentos especializados, a elaboração de estudos e pesquisas e a contratação de consultorias.
Dois mil acidentes/dia
A audiência pública foi presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que levou aos convidados mais números da área. Conforme dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho do Ministério da Previdência Social apresentados pelo senador, em 2010, ocorreram 701 mil acidentes de trabalho no Brasil, uma média de quase dois mil por dia. Em 2009, foram 733 mil; e em 2008, 755 mil.
As estatísticas, no entanto, são subestimadas, alerta o representante da Nova Central Sindical (NCS), Luiz Antônio Festino. Ele explicou que muitos casos não chegam ao conhecimento dos ministérios do Trabalho, da Saúde e da Previdência Social; e, além disso, os dados oficiais não incluem os servidores públicos, os militares e os trabalhadores que estão na informalidade.