Um dia após o acidente que matou dois operários e deixou outros dois feridos, não houve trabalho no canteiro da obra localizada na rodovia Augusto Montenegro, próximo à avenida Independência.
No local, os portões fechados indicavam que o sábado não seria comum para os operários da construção, que foram velar o corpo do companheiro de trabalho, Abraão Teixeira Figueiredo, 18, que morreu a caminho do Hospital Metropolitano de Belém vítima do desmoronamento ocorrido na última sexta feira.
O jovem foi velado no bairro Pratinha II, na casa da avó, dona Alcinda Maia, 70, que ficou sabendo do acidente pela televisão. “Vi no jornal que tinha acontecido um acidente na obra que ele trabalhava. Na hora não quis acreditar, ele era tão novinho e tão alegre”, lamentava-se a avó. Abraão era o caçula dos dois filhos de Rozemeire Teixeira.
Também muito abalada, a esposa do jovem, Lidiane dos Santos, passou mal e precisou ser encaminhada para o hospital, deixando a filha do casal, de apenas um ano, aos cuidados dos familiares. “A dor é muito grande, ele deixou uma filhinha tão pequena. É muito triste ver um menino trabalhador que tinha tantos sonhos terminar assim, dentro de um caixão. Se houvesse segurança, eu não teria perdido meu sobrinho dessa forma tão prematura”, declarou a tia, Rozeane Teixeira.
A mãe do jovem parecia não acreditar na morte prematura do filho enquanto o corpo era enterrado, no final da manhã de ontem, no cemitério Parque Nazaré, bairro do Tapanã.
Durante todo o velório, Rozemeire Teixeira não dava uma única palavra. Ajoelhada ao lado do caixão do filho ela acabou desmaiando durante o sepultamento.
A esposa do jovem, Lidiane dos Santos, era uma das mais revoltadas. “Volta meu bebê, fica comigo. Eu quero ir com ele, não vou aguentar, me solta”, gritava a viúva amparada pelo pai.
Abrão trabalhava há um ano para a construtora responsável pela obra. Segundo companheiros de trabalho, ele já teria saído morto do buraco de aproximadamente 4,5 metros de profundidade. “Eu entrei no buraco na tentativa de salvá-los. Quando tiraram aquela pedra de terra de cima dele eu vi que estava morto”, afirmou o eletricista José Oliveira.
Outro operário permanece internado em estado grave
Abrão foi sepultado ontem (domingo), em um cemitério particular localizado no bairro do Tapanã. A outra vítima fatal, Francivaldo Cirilo da Silva, foi levada no inicio da manhã de anteontem (sábado) para Bragança, onde recebeu as últimas homenagens de amigos e familiares.
Ninguém do Hospital Metropolitano foi encontrado para falar sobre o quadro de saúde de Edilson Vieira que sofreu traumatismo craniano. Até a manhã de sábado, as informações eram de que ele permanecia internado em estado grave. O último operário resgatado, Gleuson Monteiro, recebeu alta ainda na sexta-feira. A reportagem tentou, mas não conseguiu contato com a assessoria da construtora da obra.
O secretário geral do Sindicato dos trabalhadores da Construção Civil, Ailson Cunha, disse que, em virtude do feriado de Carnaval, vai aguardar até quinta-feira para procurar a Delegacia Regional de Trabalho e Ministério Público. Desde janeiro, 30 acidentes já aconteceram em diferentes canteiros de obra, segundo Ailson. (Diário do Pará)
http://diariodopara.diarioonline.com.br/N-151290-DESPEDIDA+DE+OPERARIO+MARCADA+POR+DOR+E+TRISTEZA.html