A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) admite que existem “indícios de acidente de trabalho” no caso da trabalhadora não-residente que faleceu na segunda-feira, por alegada inalação de gases tóxicos.
“De acordo com uma análise preliminar, parece ter-se tratado de um acidente de trabalho. Aguardamos um parecer jurídico”, disse Chan Keng Leong.
O responsável da DSAL, que substituiu o director Shuen Ka Hung numa conferência de imprensa que decorreu ontem à noite, afirmou ainda que “o patrão da vítima tinha seguro de trabalho”. Assim sendo, a seguradora deve encarregar-se da indeminização.
Recorde-se que a mulher, de nacionalidade indonésia, encontrava-se em coma desde terça-feira da semana passada. Juntamente com outras três pessoas, deu entrada no Centro Hospitalar Conde de São Januário na sequência de um acidente ocorrido num apartamento da Areia Preta e que terá resultado, segundo dados do Corpo de Bombeiros, de uma intoxicação por sulfeto hidrogénio provocada por um produto químico utilizado para limpeza de canos.
A autópsia à vítima ainda não foi realizada, uma vez que as autoridades locais esperam pela autorização da família. “Motivos religiosos” estarão na base deste impasse.
Sobre o incidente, o responsável máximo da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) garantiu que foi “um caso isolado”. Jaime Roberto Carion esclareceu ainda que “vai ser activado um grupo especializado composto por técnicos de saúde, bombeiros e académicos” para averiguar o que esteve por detrás da libertação de gases. O relatório final deve ser conhecido “muito em breve”.
Já o presidente do conselho de administração do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), Raymond Tam Vai Man, assegurou que foram realizadas inspecções nas canalizações do prédio afectado. “Tudo estava normal”, explicou.
No dia seguinte à tragédia, o Centro Interserviços de Tratamento de Infiltração de Água nos Edifícios, em colaboração com o Laboratório de Engenharia Civil, realizou uma vistoria ao local. Segundo os resultados obtidos, “não se verificou entupimento no sistema de esgoto junto da fracção autónoma em causa”.
Contudo, e “para um absoluto levantamento de informações”, os dois organismos deslocaram-se até outro apartamento do mesmo edifício para “inspeccionar o sistema de esgoto cujo traçado passa pela fracção habitacional onde ocorreu o incidente”. No final, os resultados foram idênticos: “não se verificou entupimento”.
Apesar dos resultados da fiscalização, o Centro Interserviços de Tratamento de Infiltração de Água nos Edifícios garante estar “bastante atento ao incidente” e, caso seja necessário, pode realizar novas inspecções ao local. Além disso, assegura também que os resultados da vistoria foram divulgados aos moradores nesse mesmo dia. P.G.