![]() O uso de equipamentos de proteção individual contribui para a redução de acidentes de trabalho. Foto: Fábio Cortez/DN/D.A Press |
De acordo com dados mais recentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Brasil teve, em 2010, 525 mil acidentes de trabalho semelhantes ao do potiguar Mailson. O Rio Grande do Norte contabilizou, no mesmo período, 5.200 acidentes, e no ano anterior, o índice de mortes chegou ao preocupante número de 2.500. Os números (os mais recentes disponíveis) se referem apenas a acidentes de trabalho em empresas formais, cujo gasto apenas com previdência no ano de 2010, foi de R$ 10 bilhões. "Uma das dificuldades de se dimensionar a quantidade de acidentes e mortes é porque esses índices não trazem, por sua própria dificuldade, acidentes decorrentes de trabalhos informais nem de acidentes no funcionalismo público", ressalta a juíza do Trabalho Maria Rita Manzarra, uma das coordenadoras de uma campanha iniciada esta semana no Rio Grande do Norte com objetivo de alertar os trabalhadores e empresas dos riscos de acidentes na construção civil.
Trata-se da Campanha de Prevenção de Acidentes na Construção Civil, promovida nacionalmente pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). "Temos que conscientizar tanto os trabalhadores quanto os empregadores para a prevenção de acidentes nos canteiros de obras. Na construção civil ocorre grande parte dos acidentes de trabalho, assim como na indústria", salienta a juíza do Trabalho Simone Jalil, a outra coordenadora da campanha no Estado. "Não pretendemos parar aí, mas estender a outros setores. Muitos trabalhadores não têm consciência de que o uso dos Equipamentos de Proteção Individual é importante para salvar suas vidas, e os empregadores, que têm que fornecer os EPI's e fiscalizar seu uso".
Um acidente de trabalho prejudica o andamento de qualquer obra na construção civil. Além do tempo perdido pelo trabalhador acidentado, há perdas indiretas, como danos no material, imagem da empresa, a suspensão do trabalho de outros funcionários em razão da curiosidade, da simpatia ou da ajuda ao acidentado, os custos com assistência ao trabalhador acidentado e a investigação das causas do acidente, apenas para citar alguns exemplos.
Diversos aspectos legais circundam as questões referentes aos acidentes de trabalho, como os direitos constitucional, trabalhista e previdenciário. "As estatísticas no Brasil são preocupantes e é importante que trabalhadores e empregadores entendam que a prevenção é fundamental para diminuir os acidentes de trabalho", disse o juiz do Trabalho aposentado e especialista na área, Edwar Abreu Gonçalves, que proferiu uma palestra no lançamento da campanha. "Em primeiro lugar sempre está a Constituição, que determina ser direito dos cidadãos a saúde, a segurança e o trabalho, logo depois vem o direito do trabalho que julga ações através da Justiça do Trabalho e ainda temos o direito previdenciário que analisa os casos e concede os auxílios, além de outras regulamentações", completou o juiz aposentado.
Ele argumenta que é preciso que haja em todas as empresas um ambiente saudável de trabalho. "Os equipamentos de proteção individual, conhecidos como EPIs, são importantes, mas eles apenas atenuam o problema, não previnem. Para que o acidente seja evitado, o empregador deve oferecer aos trabalhadores um ambiente saudável para a coletividade e não pensar apenas na questão individual. É uma obrigação do empregador oferecer um ambiente saudável ao seu empregado", destacou.
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