Por Deine Suruagy
Em 2009, sete trabalhadores morreram por dia e outros 36 ficaram inválidos de forma permanente por causa de acidentes de trabalho. Naquele ano, o Brasil ocupou o quarto lugar mundial em números de acidente de trabalho, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
De acordo com números ainda não consolidados oficialmente, o cenário atual não mudou e teríamos atingido, até 30 de setembro de 2011, 516.963 acidentes de trabalho, com o registro de 2.082 mortes.
Apesar de altos, os números apresentados não retratam a verdadeira dimensão do fenômeno. Isto porque não são inclusos os acidentes com trabalhadores informais, as sub-notificações por empresas que se recusam a declarar os acidentes de seus empregados como de trabalho, além dos que ocorrem nos serviços público e militar. “Mas esses números imperfeitos expõem o flagelo humano advindo dos acidentes de trabalho”, enfatizou o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, João Oreste Dalazen, no Seminário de Prevenção e Acidente de Trabalho, que iniciou ontem e continuará nesta sexta (21).
O seminário, de acordo com Dalazen, tem o objetivo de reunir informações úteis e difundir conhecimentos que contribuam para a conscientização e a reeducação de patrões e empregados na criação de medidas preventivas concretas.
“É necessário ressaltar aos empresários que evitar acidente custa muito menos do que indenizar e substituir o trabalhador acidentado. Cada centavo aplicado em gestão de risco retorna aquecido com o lucro da prestação de serviço de forma produtiva e comprometida. Empregado seguro trabalha mais e melhor. Aos empregados, por sua vez, a intenção é esclarecer e conscientizar sobre suas obrigações legais de cumprir as normas de segurança no trabalho”, expôs o presidente.
O evento abordará as causas, repercussões e prevenção efetiva de acidentes de trabalho, além de expor experiências e políticas de prevenção, com vistas a diminuir o elevado número de acidentes relacionados ao trabalho que ocorrem anualmente no País. Médicos, economistas, engenheiros, juristas e representantes de instituições públicas e privadas estão expondo aspectos do tema, sob suas óticas.
Ao fim dos dois dias do encontro, os participantes redigirão a Carta de Brasília, contendo as principais conclusões e recomendações extraídas dos painéis e debates, que será exposta em plenário, no Tribunal.
http://blog.mte.gov.br/?p=6605