22.3.12

Sindicato da Construção acusa ACT de falta de meios

O Sindicato da Construção Civil de Portugal afirma que os meios da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) não são suficientes para fiscalizar todas as obras que se fazem no país. A acusação surge depois de ontem cinco operários da barragem de Foz Tua terem sido atingidos por uma projeção de fragmentos de rocha. Desde o início de 2012, registaram-se pelo menos 13 acidentes de trabalho, dos quais resultaram oito mortos.

“Os meios da Autoridade para as Condições de Trabalho disponíveis, quer materiais quer humanos, não são suficientes para um setor tão grande e com tantas obras, algumas de grande perigosidade”, afirmou Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção de Portugal.

O sindicalista afirma ainda que os acidentes de trabalho são uma consequência da política de cortes do Executivo.

“Este Governo que não persista na direção que está a persistir, que é cortar em termos de higiene e segurança, para evitar que existam mais acidentes de trabalho no setor da construção civil. Nunca nenhum Governo nem do Partido Socialista nem do PSD tomou as medidas que este já tomou. E o governo será responsabilizado pelas mortes que possam acontecer a mais a partir deste momento”, frisou.

Apesar do número de mortos por acidente de trabalho no sector da construção estar a descer, em 2010 registaram-se 55 vítimas mortais e em 2011 o número baixou para 38, Albano Ribeiro considera que são necessárias mais ações de formação e sublinha que a pressa pode ser perigosa.

“Quando os projetistas pensam numa obra, até à materialização dessa obra são prazos muito encurtados. Há uma pressão muito grande para que seja concretizada essa obra e naturalmente isso é igual a que possam ocorrer mais acidentes mortais”, acrescentou.

Nas obras de construção da barragem do Foz Tua, a 26 de janeiro, uma derrocada matou três trabalhadores, na passada quarta-feira outros cinco ficaram feridos, um deles com gravidade, quando foram atingidos por fragmentos de uma rocha.

Já na terça-feira, cinco trabalhadores morreram soterrados quando uma das paredes do mercado do Livramento em Setúbal ruiu. Também no mesmo dia, em Almada dois trabalhadores ficaram feridos na sequência da queda de uma grua.

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