A Organização Internacional do Trabalho (OIT) comemorou ontem o Dia Mundial da Segurança e Saúde do Trabalho, uma homenagem às vítimas de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.Os casos envolvendo acidentes e doenças de trabalho têm aumentado cada vez mais, o que preocupa os especialistas do setor.
De acordo com a advogada que atua na área, Daniela Donato, a data foi instituída devido a uma explosão de uma mina no estado da Virgínia em 1969, resultando em 78 mineiros mortos.
Ela explica que o número de acidentes de trabalho (incluindo as doenças de trabalho) aumentou 10% em Catanduva. “Entre os anos de 2009 e 2010 o número de registros saltou de 892 para 984 casos”.
E que esses dados são apenas aqueles que chegam ao conhecimento oficial, pois existem muitas empresas que não noticiam, não emitem a Comunicação do Acidente de Trabalho (CAT), ou então desvirtuam a ocorrência que acontece dentro da empresa. “Na verdade, o número é muito maior e ainda mais alarmante”.
A advogada revela que o setor responsável pelo maior número de mortes é o da construção civil. “Isso se deve ao histórico do cenário brasileiro em ter um grande investimento em construção civil, além do crescimento do setor. O número de empregos aumenta e a segurança é precária. O que vemos, na maioria dos casos, é a negligência”.
Muitas pessoas não sabem que a doença ocupacional é caracterizada na legislação como acidente de trabalho e as empresas podem ser acionadas. “Uma vez constatado que houve negligência ou imprudência na averiguação, a empresa pode ser responsabilizada”.
Daniela afirma que a maioria dos acidentes poderia ser evitada por meio da prevenção. “As empresas elencam a segurança de trabalho em último lugar na lista de prioridades, pois tudo isso tem um custo. Enquanto as empresas tiverem essa política de não priorizar a saúde e segurança do trabalhador, a incidência será cada vez maior e torna-se um círculo vicioso”.
E também destaca as doenças emocionais, que são resultado da pressão no trabalho, da cobrança de metas inatingíveis, cargas de trabalho exaustivas, entre muitos outros. “Isso desencadeia quadros depressivos, transtornos de ansiedade, considerados doenças ocupacionais”.
O QUE FAZER?
Ela explica que os trabalhadores devem exigir a segurança, pois a empresa tem o dever de prevenir e fornecer equipamentos. “Caso surgir algum transtorno ou doença ocupacional, o trabalhador deve noticiar a empresa para prevenir este tipo de problema. Atualmente poucas empresas se preocupam com o lado humano do funcionário”.
Segundo dados da OIT, 270 milhões de trabalhadores sofrem acidentes de trabalho por ano. São dois milhões de mortes e 160 milhões de doenças ocupacionais. O custo com os acidentes ultrapassa os 4% do PIB mundial.
Com relação às doenças ocupacionais, ficam em primeiro lugar as muscoesqueléticas (LER e LOR), por condições insatisfatórias ergonômicas de trabalho.
No Brasil, até o mês de setembro de 2011, dados levantados pelo Tribunal Superior do Trabalho revelam que foram registrados 516 mil casos de acidentes de trabalho, com 2.082 mortes.
http://www.oregional.com.br/portal/detalhe-noticia.asp?Not=278676