Os operários da construção da Arena Corinthians participarão de um Ato Público pelo Trabalho Seguro na Construção Civil, nesta segunda-feira (14), às 10h. Após 11 meses de seu início, a obra do novo estádio do clube paulista já tem quase 35% do seu andamento concluído. A ação organizada pelo Tribunal Superior do Trabalho faz parte do Programa Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, lançado pelo TST em maio de 2011, durante as comemorações dos 70 anos da Justiça do Trabalho.
Além de representantes do Poder Judiaciário, do Ministério do Trabalho e Emprego, do Serviço Social da Indústria (SESI) e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), dirigentes do Corinthians estarão presentes vários ex-atletas profissionais. Dentre eles, os ex-jogadores: Ronaldo, que também é membro do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, e Roberto Rivellino. O evento contará, ainda, com a presença do maestro João Carlos Martins.
Sobre o programa
O programa busca a formulação e a execução de ações nacionais voltadas à prevenção de acidentes de trabalho, bem como ao fortalecimento da Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho, com o principal objetivo de reverter o cenário alarmante de número de acidentes de trabalho registrado no Brasil nos últimos anos.
Com a proximidade da Copa das Confederações em 2013, da Copa do Mundo em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016, todos sediados no Brasil, o objetivo maior da campanha é reunir trabalhadores e representantes das construtoras responsáveis pelas obras para atuarem como verdadeiros embaixadores das medidas preventivas e de segurança no trabalho, tudo a tentar reverter o alto número de acidentes.
Programação
Ao chegarem para o trabalho, os operários receberão kits contendo cartilhas sobre prevenção de acidentes, além de brindes promocionais doados pelas empresas e entidades sindicais parceiras do programa. Logo após, e já dentro do canteiro de obras do estádio (em um palco montado à frente de uma das arquibancadas), as personalidades do mundo esportivo e autoridades falarão sobre o tema para os cerca de dois mil operários envolvidos na obra.
Em seguida, haverá sorteio de vários brindes para os trabalhadores, como 20 camisas autografadas e oficiais do Corinthians, além da exibição de vídeo institucional sobre a prevenção de acidentes e as condições ideais de segurança do trabalhador.
Para o mesmo momento do sorteio, foi programada uma rápida entrevista das autoridades e personalidades para a imprensa presente, em sala vip montada atrás do palco. E após as declarações, haverá visitação às obras do estádio e somente fotógrafos e cinegrafistas credenciados poderão acompanhar as autoridades no canteiro de obras (veja aqui como será o credenciamento).
Construção civil e estatísticas
A proposta do programa nacional com ênfase no ramo da construção civil, nesta segunda etapa, parte da constatação de que este é o setor em que se registra o maior número absoluto de acidentes: em 2010, foram 54.664, dos quais 36.379 se enquadram como "acidentes típicos" - quedas em altura, causa mais comum de lesões e morte, e acidentes em trabalhos de escavação e movimentação de cargas. Mundialmente, os trabalhadores da construção civil têm três vezes mais probabilidades de sofrer acidentes fatais e duas vezes mais probabilidades de sofrer ferimentos que os trabalhadores das demais áreas.
Em virtude de grandes obras de infraestrutura, como a construção de usinas hidrelétricas, e das obras voltadas para os grandes eventos esportivos que o Brasil sediará nos próximos anos, a preocupação é que o aquecimento do setor acabe se refletindo também num aumento do número de acidentes.
Segundo dados do Anuário Estatístico da Previdência Social, em 2001 ocorreram no país cerca de 340 mil acidentes de trabalho. Em 2007, o número subiu para 653 mil e, em 2009, chegou a preocupantes 723 mil ocorrências, dentre as quais foram registrados 2.496 óbitos. Ou seja, são quase sete mortes por dia em virtude de acidente de trabalho. Além da perda de vidas humanas e dos efeitos decorrentes, os acidentes e doenças do trabalho causam relevante impacto orçamentário: a Previdência Social despende por ano aproximadamente R$ 10,7 bilhões com o pagamento de auxílio-doença, auxílio-acidente e aposentadorias.
Custos
Segundo o economista José Pastore, o custo total dos acidentes de trabalho é de R$ 71 bilhões anuais, numa avaliação subestimada. Esse valor representa 9% da folha salarial anual dos trabalhadores do setor formal do Brasil, e reúne os custos para as empresas (seguros e gastos decorrentes do próprio acidente) e para a sociedade (Previdência Social, Sistema Único de Saúde e custos judiciários).
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