O crescimento no setor da construção civil, as políticas de gestão adotadas por empresas, sobrecarga de trabalho e os reflexos de todo tipo de assédio moral associados a transtornos mentais adquiridos por profissionais estão entre os assuntos em pauta durante a V Jornada Estadual em Saúde do Trabalhador (V Jest), aberta nesta quarta-feira, 9, no hotel Beira Rio, em Belém. O evento é realizado pelo Centro de Referência Estadual em Saúde do Trabalhador (Cerest), vinculado à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).
Com o tema “A Saúde do Trabalhador enquanto Política Pública no Estado do Pará: Conquistas e Desafios”, o evento tem como objetivo dar continuidade ao processo de socialização de informações, experiências e encaminhamentos a respeito de ações e projetos que visam à implementação da Política de Saúde do Trabalhador no Pará.
Durante a abertura da jornada, a coordenadora estadual do Cerest, Jarina Gomes, destacou algumas ações do órgão em defesa da saúde do trabalhador. Uma delas é parceria mantida com a Universidade Federal do Pará (UFPA), através do projeto de extensão “Assessoria aos Profissionais de Serviço Social nas Ações de Gestão, Acolhimento e Controle Social em Saúde do Trabalhador no Cerest/Pa”, desenvolvido desde 2011 por um grupo de professores do curso de Serviço Social.
Segundo Jarina, a parceria tem dado tão certo que a pesquisa já estimula uma nova geração de assistentes sociais em favor da prevenção e notificação de acidentes de trabalho ocorridos no Estado, além de criar condições de aperfeiçoamento da qualificação dos profissionais da Sespa, em função da contínua troca de experiências. “Hoje são comuns casos de lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteo-musculares relacionados ao trabalho, como tendinite, bursite, epicondilite e problemas na coluna”, explica a coordenadora estadual do Cerest, que no ano passado chegou a atender 233 profissionais envolvidos em acidentes ocorridos em serviço.
As pressões por maior produção tiram a atenção dos trabalhadores, em geral pouco capacitados e muitas vezes sem os equipamentos de proteção. O resultado é o crescimento de acidentes. Outra conquista citada por Jarina Gomes é a recente aprovação do Protocolo do Fluxograma de Acidentes com Material Biológico no Estado, graças à deliberação consensual da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) do Sistema Único de Saúde do Pará. Publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) em 04 de maio, o documento implementa e regulamenta o esquema para atendimento a acidentes com exposição a material biológico com risco de soro-conversão para as doenças HIV, HBV e HCV.
A medida estabelece, inclusive, conduta de atendimento inicial com acolhimento, orientação e acompanhamento aos acidentados, com quimioprofilaxia no máximo em duas horas e notificações de casos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), no período comercial e integral, por 24 horas, compreendendo ainda horário noturno, finais de semana e feriados.
Para o secretário de Estado de Saúde, Helio Franco, a importância da jornada reside no conceito de que a saúde é a maior dimensão da vida, visto que as discussões devem estar associadas à produção de saúde, incorporando teorias e práticas de diferentes áreas de conhecimentos e de representação dos trabalhadores. “Por esse motivo é muito bom que representantes das áreas da Saúde, Trabalho e Previdência Social, Meio Ambiente e Educação estejam aqui, pois essa articulação ainda pode ser muito favorável se agregar as instituições de ensino e pesquisa para inclusive ajudar na formação de recursos humanos para atuar nessa área”, afirma.
Além do titular da Sespa, participam da Jornada a consultora técnica em Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Luciana Amorim; a coordenadora da Fundacentro no Pará, Julia Braun; a representante do Ministério Público do Trabalho, Rita Costa; o chefe de Saúde do Trabalhador do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Jorge Castro, e a coordenadora do Cerest de Santarém, Conceição Menezes.
A jornada continua nesta quinta-feira, 10. com uma programação voltada ao debate sobre adoecimento mental e trabalho, nas suas formas mais variadas. O tema será conduzido pelo médico psiquiatra Francisco Drumond, coordenador de Saúde do Trabalhador de São Paulo e do Protocolo Nacional de Agravos à Saúde Mental Relacionados ao Trabalho. Pela manhã e à tarde, Drumond abordará os seguintes temas: “A saúde do trabalhador enquanto política pública: conquistas e desafios”, “Saúde mental no trabalho: perspectivas na rede SUS”, “Saúde mental e trabalho: caminho para estruturação dos serviços no Estado do Pará”, “Linhas de cuidado em saúde mental e trabalho no Pará” e “Desafios da intersetorialidade na saúde do trabalhador no Pará.
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