O Sindicato da Construção de Portugal denunciou hoje que "estão a morrer mais trabalhadores no setor sem justificação", já que existem menos obras, mas mais e melhores meios de proteção.
De acordo com o presidente do sindicato, Albano Ribeiro, este ano já morreram em acidentes de trabalho na construção civil 16 trabalhadores, mais dois do que em igual período de 2011.
"Nunca morreram tantos trabalhadores por violação grosseira das condições de segurança como neste ano", segundo o sindicato que admite que, em algumas situações, a responsabilidade pode ser dos trabalhadores, mas que "trabalhadores são todos, desde os serventes aos técnicos".
Um caso concreto apontado por Albano Ribeiro foi o acidente mortal, a 25 de maio, na Autoestrada Transmontana, em que um trabalhador, que conduzia uma carrinha debaixo de um viaduto, foi esmagado na queda de um apoio provisório.
O sindicado convocou uma conferência de imprensa, em Macedo de Cavaleiros, o concelho transmontano onde ocorreu o acidente "inaceitável", para o presidente, porque "os meios de proteção estavam ao dispor dos trabalhadores".
O que aconteceu, segundo disse, foi que os apoios provisórios que estavam a ser retirados do viaduto "deveriam ser removidos e colocados no chão por uma grua, mas foram duas pessoas que pegaram no bloco de 150 quilos para o arrastar e caiu", atingindo a carrinha onde seguia o encarregado daquela frente de obra.
O presidente do sindicato garantiu que "tudo foi feito pelo CAET (consórcio construtor) para evitar o pior" e que "a Transmontana era e é uma obra exemplar para o país, dadas as caraterísticas de perigo que representa".
Albano Ribeiro disse estar "chocado" com este e outros "funerais" que se realizaram este ano no setor, como os das mortes resultantes da queda de uma parede do mercado de Setúbal, que atingiu cinco homens, e uma outra vítima mortal em Espinho (na Euroespuma).
Para o dirigente sindical, "são acidentes que podiam ter sido evitados". O responsável não encontra justificação para o aumento destas mortes numa altura em que "existem menos obras do que em 2011, mais e melhores meios de proteção, e uma redução drástica do número de postos de trabalho", com a perda de "cerca de 10 mil emprego por mês".
"Não podemos permitir que no setor, com menos obras, com mais e melhores condições em termos de meios de proteção quer individuais, quer humanos, esteja a ocorrer tantas mortes", reiterou.
Albano Ribeiro defende que "os responsáveis têm de responder criminalmente.
"Se os meios de proteção estão ao dispor e não os utilizam, as pessoas que não os utilizam também são responsáveis", acrescentou, frisando que as responsabilidades devem ser pedidas, independentemente se cabem ou não aos trabalhadores.
O sindicato pediu uma reunião urgente ao inspetor-geral da Autoridade para as Condições no trabalho (ACT), que está marcada para 05 de junho.
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