4.7.12

Mais de 160 pessoas morreram em acidentes de trabalho em 2011

Pelo menos 161 trabalhadores morreram em acidentes de trabalho em 2011, segundo o Relatório Anual da Autoridade Nacional para as Condições do Trabalho (ACT), que destaca o setor da construção como aquele que causou mais mortes.

 

Das 161 vítimas mortais em acidentes de trabalho alvo de inquérito pela  ACT, 44 foram no setor da construção, 21 no setor das indústrias transformadoras  e 15 na agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca, sendo que  156 eram homens e apenas cinco mulheres. 
De acordo com o Relatório Anual de 2011 da ACT, que vai ser apresentado  publicamente hoje, em Lisboa, 149 destes inquéritos são relativos a acidentes  ocorridos e reportados em 2011 e 12 referem-se a acidentes ocorridos em  2010, mas apenas reportados no ano passado. 
Quase 130 destas vítimas mortais referem-se a acidentes que ocorreram  nas instalações laborais, 19 reportam-se a acidentes em viagem, transporte  ou circulação e 14 a acidentes 'in itinere', relativos a deslocações entre  o local de trabalho e a residência do trabalhador. 
Esta é, aliás, uma alteração na metodologia da ACT para contabilizar  os acidentes mortais, uma vez que, em 2011, foram pela primeira vez contabilizados  os acidentes em viagem, transporte ou circulação, bem como os acidentes  'in itinere'.  
Caso fossem aplicados os critérios de anos anteriores, o número total  de acidentes mortais alvo de inquérito em 2011 seria de 133. 
Em 2011, a ACT realizou mais de 90.000 visitas, abrangendo mais de 80.000  estabelecimentos e 600.000 trabalhadores, cujo resultado foi 154 participações-crime,  929 suspensões de trabalho e quse 4.800 autos de advertência. 
Foram ainda detetadas 17.607 infrações que originaram coimas entre os  25.668.428 e os 73.482.722 euros. Quase dois terços destas infrações (65,6  por cento) foram registadas no setor da construção, comércio/reparação de  veículos, indústria transformadora e alojamento e restauração. 
Para a Autoridade, "estes números, a par dos mais de 25.000 pedidos  de intervenção dirigidos à ACT, nomeadamente por trabalhadores e empresas  no ano passado, são um indicador claro do impacto da crise na economia e,  em especial, no desenvolvimento das relações laborais". 
No que se refere à verificação das condições de segurança e de saúde,  a ACT visitou mais de 35.000 estabelecimentos, abrangendo mais de 250.000  trabalhadores.  
O setor da construção foi o mais representativo neste tipo de ações,  com 42,1 por cento do total de visitas), seguindo-se o das indústrias transformadoras  (14,3 por cento) e do comércio/reparação de veículos (11,2 por cento).

http://sicnoticias.sapo.pt/economia/2012/04/27/mais-de-160-pessoas-morreram-em-acidentes-de-trabalho-em-2011