Cerca de 44% dos 815 inquiridos no âmbito de um estudo sobre sinistralidade laboral sofreram dois ou mais acidentes de trabalho. O estudo será apresentado hoje, no fórum “Impacto Social dos Acidentes de Trabalho”, no Porto.
Dos inquéritos realizados concluiu-se ainda que a taxa de reincidência é superior nos indivíduos que retornam ao emprego de origem, tornando-se significativamente menor nos sujeitos que aderem à formação profissional, confirmou Rui Aragão Oliveira, co-autor do estudo e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Psicanálise.
O problema, diz o académico é que apenas 27% dos inquiridos faz formação depois de sofrer um acidente de trabalho.
Outro dado em destaque é que 33% das vítimas de acidentes laborais apresentam um quadro clínico de depressão, que se torna mais acentuado se não conseguirem regressar ao posto de trabalho. No entanto, só 16% recorrem à ajuda especializada.
Este estudo, que se apoia em inquéritos realizados sobretudo junto de sócios da Associação Nacional de Deficientes Sinistrados do Trabalho, será tema de uma das comunicações do fórum “Impacto Social dos Acidentes de Trabalho”, que decorre hoje na Faculdade de Letras do Porto, por iniciativa da Rede de Investigação sobre Condições de Trabalho (Ricot).
A comunicação indica também que nove em cada dez acidentes de trabalho envolvem homens, em geral de baixa escolarização.
Pelo menos 161 trabalhadores morreram em acidentes de trabalho durante o ano passado, de acordo com o último relatório anual da Autoridade para as Condições de Trabalho, que destaca o sector da construção como aquele que causou mais mortes.