Nem tudo é praia, samba, carnaval ou futebol no ambiente de trabalho do
setor de bebidas no país. Tanto que a Confederação Nacional dos
Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA Afins) lançou,
na última semana, a Campanha Nacional de Combate aos Acidentes de
Trabalho e Doenças Ocupacionais no Setor de Bebidas e a pesquisa Perfil
dos Trabalhadores das Indústrias de Bebidas do Brasil. A elaboração de
uma norma regulamentadora específica para o setor está entre as
principais reivindicações dos trabalhadores. Entre 2010 e 2012, foram
registrados 16.848 acidentes no setor, com 42 mortes no mesmo período.
Empresas
como a Ambev (presente em 13 países e dona das marcas Antarctica,
Bohemia, Brahma, Skol, Gatorade, Guaraná Antarctica, Pepsi, Sukita,
entre outras) e Femsa (presente em 9 países e dona das marcas Coca-Cola,
Fanta, Sprite, Nestea, Powerade, entre outras) têm desrespeitado
direitos básicos do trabalhador e contribuído com a incidência de
acidentes e doenças ocupacionais por falta de prevenção e más condições
de trabalho. Algumas das principais reclamações registradas por
dirigentes de todo o país foram o excesso de jornada de trabalho,
exposição dos trabalhadores a poeiras e agentes químicos, falta de
pagamento de horas extras e grande incidência de lesões por esforço
repetitivo e assédio moral. Entre a maioria das queixas relacionadas aos
acidentes de trabalho estão situações que envolvem cortes, quedas,
queimaduras, intoxicação, esmagamentos e traumas psicológicos.
De
acordo com o presidente da confederação, Artur Bueno de Camargo,
manifestações, paralisações e até mesmo uma campanha nacional e
internacional de boicote às empresas que não tomarem providências em
relação à prevenção e à redução aos acidentes de trabalho não estão
descartadas pelos trabalhadores. A entidade irá oficializar as
preocupações da categoria junto ao governo e às empresas (através da
Confederação Nacional da Indústria) na tentativa de discutir a
possibilidade de criação de uma norma regulamentadora específica para o
setor e também intensificar as fiscalizações nos Estados e municípios.
“Até junho pretendemos estar com todo esse processo em funcionamento”,
defende Bueno.
Números alarmantes
O Brasil
possui atualmente 144 mil trabalhadores no setor de bebidas, sendo São
Paulo o principal Estado em número de trabalhadores, com 33 mil; seguido
por Rio de Janeiro (15 mil) e Pernambuco (11 mil). A exemplo do
trabalho realizado pela CNTA Afins no setor frigorífico, entre 2004 e
2014, que resultou na recente conquista da Norma Regulamentadora n° 36
(NR36/2013), a entidade quer discutir melhorias para o setor de bebidas e
combater o alto número de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.
De
acordo com dados do Ministério da Previdência Social (MPAS), entre 2010
e 2012, foram registrados 16.848 acidentes no setor, com 42 mortes no
mesmo período. Já o número de auxílios-doença acidentários concedidos
entre 2010 e 2012 foi de 928. Só em 2013, entre janeiro e outubro, 316
trabalhadores do setor receberam o benefício.
Apesar da redução do
número de acidentes e de óbitos no setor, a média anual ainda é
considerada alarmante pela CNTA Afins. Em 2010, 6.144 acidentes foram
registrados (com 17 mortes). Em 2011, esse número foi de 5.634 acidentes
(e 14 mortes), contra 5.070 acidentes e 11 mortes em 2012. A maioria
dos acidentes são registrados durante a fabricação de refrigerantes e de
cervejas.
https://portogente.com.br/noticias-do-dia/os-acidentes-e-as-doencas-ocupacionais-no-setor-de-bebidas-81077